Sunday, August 14, 2011

Tentativa 1 e 2

Na minha primeira experiência, comprei um pote de lixo grande com tampa, de plástico, para acumular as fezes. Coloquei no quintal e mantive fechado para o cheiro não espalhar e para não molhar na chuva. 

Comprei também uma caixa de plástico, que foi a coisa mais apropriada e mais barata que pude encontrar. Foi caro. Mas na época, não tive nenhuma idéia melhor. Pus a caixa de plástico no quintal e cobri com um pedaço de telha ondulada. A ventilação seria só pelas ondulações da telha. Não podia furar a caixa, pois ela racharia.


Peguei um saco de serragem na serraria mais próxima.


Fiz a mistura conforme as dicas já publicadas. Mexi até estar tudo misturado. O material vira uma pasta, e fica pesado, difícil de mexer. 

No ato em que você rega e mistura o material, a mistura é fedida. Fede assim como fediam as fezes que você guardou para isso. O cheiro pode ser sentido até a uns 5 metros de distância. Mas em 24 ou no máximo 48 horas, já não fede mais, a não ser que se tire a telha e cheire diretamente em cima da caixa, com o nariz a 50 cm da mistura. Em menos de uma semana, o cheiro de fezes se mistura a um cheiro de terra que começa a surgir.

Vou ser sincero com vocês. Qualquer pessoa que não seja muito enjoada pode fazer isso. Se você consegue recolher fezes com pá, consegue mexer elas com uma pá também. A única parte difícil, porém, é na hora de fazer a mistura. Se você acumulou as fezes num recipiente, elas ficam mais malcheirosas do que quando eram recém-produzidas. É nessa hora que o cheiro é meio brabo. Mas é só por uns minutos. No dia seguinte, o cheiro já melhorou.

Ingredientes recém-regados e misturados

Mexi semanalmente a mistura. É bem interessante notar como a mistura evolui. De uma pasta fedida, pesada e repugnante, ela gradualmente vai se tornando algo que não tem diferença quase nenhuma de terra ou de húmus ensacado de floricultura. O fedor dá lugar a um cheiro agradável de terra. Isso mesmo, terra pura e fértil. Não a terra seca e dura de uma estrada de terra, mas como terra preta e fofa colhida de uma mata virgem. Cheiro de húmus.

A receita certa é 2 partes de fezes para 1 parte de serragem. Mas por desatenção, errei na proporção e fiz o inverso: 1 para 2. O resultado é que a mistura final ficou com vários pedaços visíveis de serragem.

A mistura é pesada nas primeiras semanas. Imagine papel higiênico amolecido na água. Acaba virando pasta. Estava difícil de mexer com pá, então passei a usar uma enxada. Mas a enxada às vezes acertava a caixa, rachando-a. Foi um aprendizado: A caixa deve ser resistente, pois você usará uma enxada, e não uma pá.

Não dá trabalho nenhum... Só mexer semanalmente, para aerar. Se esquecer uma semana, não tem problema nenhum. O composto e as bactérias não vão a lugar nenhum.

Abaixo veja a foto do material quando concluí que estava finalizado, 2 meses depois. Concluí assim porque tinha consistência de terra pura, e cheiro de terra pura. O fedor da pasta inicial tinha desaparecido por completo, e se eu não soubesse, jamais diria que pouco tempo atrás, este monte de terra bem-cheirosa era uma pasta repulsiva de excremento. Até poderia meter a mão nela. Mas não obrigado, prefiro continuar usando a pá, só por via das dúvidas. Ainda falta a última parte: O repouso, que deve ser de no mínimo 1 mês.


Veja este vídeo do material pronto. Veja como parece uma terra simples e inofensiva. Não tenho vídeo de quando fiz a mistura, mas digo que era bem diferente. Era uma pasta pesada e fétida.

O resultado não ficou bonito, preto, fofo e úmido como é húmus ensacado de floricultura. Ficou com excesso de serragem, com algumas bolotas secas e duras de serragem (que acho que são bolotas de serragem molhada que secou e endureceu), e um pouco seco. Com a prática, aprimorarei a receita. 




Depois de curada a mistura, a joguei no pé de algumas plantas do meu quintal, fazendo uma camada grossa, para cobrir o solo. Os trevos e matos que cresciam ali praticamente não cresceram mais. Além de adubar, este é um dos usos do composto: Cobertura de solo, para controlar mato.

Algumas fontes que li mandam registrar a temperatura. Pus um termômetro e anotei a temperatura diariamente, mas a diferença da temperatura da mistura com a do ar era quase nenhuma. No máximo uns 5 graus. Nem dá pra dizer que a mistura esquenta mesmo. Pode ser só erro de cálculo. Eventualmente o termômetro chinês comprado na internet quebrou, e assim larguei de me preocupar com a temperatura.

Não achei que fosse levar 2 meses. Talvez este recipiente não seja ventilado o suficiente. Vou tentar corrigir isto também. Não foi boa idéia mesmo usar plástico. Mas na hora não achei nada melhor.

Preço da brincadeira:
Potão de lixo com tampa para acumular as fezes - R$ 30
Caixa de plástico organizadora para fazer a compostagem - R$ 50 (caro demais, eu sei)
Enxada, pá - já tinha
serragem - de graça
pedaço de telha ondulada - catei num resto de obra. Mas é bem barata também.

A experiência deu frutos. Não foram perfeitos, mas gerou aprendizado:
1) Usar uma caixa mais forte, que aguente pancada de enxada.
2) Prestar atenção na proporção correta dos ingredientes.
3) Usar um recipiente mais ventilado.

Esse aprendizado é essencial para melhorar a próxima "fornada".

Tentativa 2

Na segunda vez, reaproveitei o recipiente e a serragem que tinha, e peguei mais fezes da minha fonte inesgotável: os meus cachorros. Desta vez acertei na receita: proporção de 2 partes de fezes para 1 de serragem.

Houve um problema: O recipiente onde acumulo as fezes abriu, talvez com o vento, e choveu dentro. Quando comprei, não fiz furos no fundo porque não tinha ferramentas próprias (facas e serras fazem o plástico rachar). Então a água acumulou por uns dias no pote até que o esvaziei. Não houveram problemas sérios além do fato que a mistura ficou bem mais malcheirosa e foi bem mais desagradável misturá-la. Mas é como eu disse: O fedor mesmo só existe quando se está misturando os ingredientes.

Já sabia que era preciso um novo recipiente, mas ainda não tinha tido tempo de arranjar outro, então usei de novo a caixa de plástico. Já estava meio quebrada no fundo, agora ficou ainda mais.

O resultado final ficou um pouco mais homogêneo, mas ainda parecia haver excesso de serragem. Acho que a proporção de 2 para 1 dos ingredientes pode precisar ser refinada. Da mesma forma que a tentativa anterior, esta não ficou preta, úmida e fofinha como húmus ensacado. Ficou meio ressecada e cinza, mas isso é uma questão simples de rega. Quase nunca reguei a mistura quando a mexi. Mas ficou melhor do que da última vez.

A foto abaixo mostra o aspecto da mistura resultante. Tem partes meio cinza-claro e outras mais escuras, é que em cima estava mais seco, e no meio mais úmido, e quando eu bati a foto já havia misturado tudo. Nasceu até um trevo no composto (já viu trevo nascer numa pilha de fezes)?

Assim como na tentativa anterior, esta pilha de material simples e com cheiro de terra naturalmente ficou assim, inassociável com o material original, que era uma pilha nojenta de cocô molhado misturado com serragem.

Esta segunda mistura pus num pote para repousar e está lá até então. Não estou precisando dela ainda.

Mistura pronta.

Mistura pronta. Um pedaço de plástico da caixa aparece. Um trevo nasceu.

Lições aprendidas:
1) Não deixar entrar água no recipiente onde acumulam-se as fezes. Senão, federão mais.
2) Prestar mais atenção no nível de umidade e regar se for preciso pode ser importante.

Monday, November 15, 2010

Bibliografia

Este é o material que pesquisei e li para aprender a teoria. É ampla a literatura desse assunto em inglês, mas em português não achei quase nenhum texto. Se você tem uma boa, me indique.

Fossa séptica de fezes caninas:

Dog Waste Composting Case Study (este é bom)
Fossa estilo City Farmer.
http://www.metrovancouver.org/about/publications/Publications/DogWasteComposting.pdf

Procedimento com fotos
http://www.cityfarmer.org/petwaste.html
http://homepage.mac.com/cityfarmer/PhotoAlbum22.html

Outro exemplo com fotos
http://www.shelterrific.com/2008/10/13/easy-green-pet-solution-a-dog-poop-composter/

Explicação de como uma fossa funciona
http://ambiente.hsw.uol.com.br/tratamento-de-esgoto2.htm

Composteira de fezes caninas:

Documento excelente da Fairbanks Soil and Water Conservation District (muito bom)
ftp://ftp-fc.sc.egov.usda.gov/AK/Publications/dogwastecomposting2.pdf

Produto pronto (para informação somente. Produto disponivel nos EUA)
http://www.composters.com/pet-waste-products/the-pet-drum_148_12.php

Composteira de alimentos:

Here's the Dirt: Backyard composting
Muito bom, explica uma composteira simples de bactérias, tem tabela de alimentos
http://www.metrovancouver.org/about/publications/Publications/HeresTheDirt.pdf

Here's the Dirt: Worm Composting
Explica a minhoqueira, não muito aprofundado, tem tabela de alimentos aceitos.
http://www.metrovancouver.org/about/publications/Publications/wormcompostbrochure.pdf

Guia da Compostagem Caseira, de Daniel Ribeiro
Contém exemplos de composteiras.
http://www.lixo.com.br/documentos/manual_compostagem.pdf

Composteira de barril duplo
Exemplo de composteira eficiente, mas não tão simples de fazer.
http://vidasustentavel.perus.com/sustentabilidade/820

Fazenda de minhocas para fezes caninas:

Fazenda de minhocas para fezes de cão, gera "chá de adubo" (mal explicada)
http://www.composters.com/pet-waste-products/pet-poo-converter---worm-compost-bin_53_12.php

Livros:

Worms Eat My Garbage:
Antigo e muito referenciado livro sobre a compostagem caseira com minhocas.
http://www.amazon.com/Worms-Eat-My-Garbage-Composting/dp/0977804518/ref=sr_1_1?ie=UTF8&s=books&qid=1276776902&sr=8-1

Beyond Compost: Converting Organic Waste Beyond Compost Using Worms (Volume 1)
Fala sobre como criar sistemas de minhocultura de tamanho médio. O prefácio, disponível grátis online na Amazon, tem um bom texto sobre a importância da compostagem em oposição aos adubos químicos.
http://www.amazon.com/reader/1448604214?_encoding=UTF8&page=26#reader_1448604214

Green Your Home All in One For Dummies
Ótimo livro, fala sobre casas sustentáveis e vai muito além do jardim.
http://www.amazon.com/Green-Your-Home-All-Dummies/dp/0470407786

Outros sites:

Notas de agricultura urbana do departamento de agricultura urbana do Canadá
http://www.cityfarmer.org/

Fórum em inglês sobre jardinagem
http://forums.gardenweb.com/forums/load/verm/msg021324176822.html

Introdução





Fazendo adubo com fezes de cachorro

Você já ouviu dizer que cocô de cachorro pode se transformar em adubo? Provavelmente sim. Mas sabia que você pode fazer isso numa caixa no fundo do seu quintal ou garagem, de maneira controlada, limpa, segura, sem fedor, produzindo adubo grátis, contribuindo com o meio ambiente e com o seu jardim?

O processo se dá através de bactérias aeróbicas. Ao misturar o excremento (rico em nitrogênio) a uma fonte de carbono (por exemplo, serragem) com umidade no nível certo, bactérias, que estão presentes em toda parte, decompõem a mistura, e o que resulta deste processo de compostagem chamamos de húmus ou composto. É um material estável, rico em nutrientes minerais, com cor escura e odor suave e agradável. O composto é excelente para ser adicionado ao seu jardim, gramado, ou a vasos de plantas. Ele contribui com a areação, com a retenção de água, e é uma excelente fonte de nutrientes para as plantas.
Um punhado de adubo pronto. Ao fundo, a matéria-prima.

O adubo pronto não lembra em nada a matéria-prima. 

Como fazer:

A primeira coisa a fazer é arranjar uma caixa onde acontecerá a compostagem. Pode ser de alvenaria, de tábuas, um carrinho de mão usado, um vaso grande, entre outros. Mistura-se as fezes com a fonte de carbono, que pode ser serragem, palha seca, jornal picado, folhas secas, grama picada seca, entre outros, e mais um pouco de água. Semanalmente é preciso mexer para aerar, com uma pá ou enxada. Em cerca de 2 ou 3 meses, o processo estará pronto. As fezes se transformam em húmus, um material não pegajoso, com aparência, cor, consistência e cheiro de terra, idêntico a húmus de minhoca comprado em floricultura. Na primeira vez que veem, as pessoas não acreditam que aquela massa inofensiva e de cheiro agradável há três meses era nada mais que uma pilha de fezes.
Uma opção de caixa onde a mistura repousa por até 3 meses para se transformar em adubo.

Mas isso não é nojento?

Muita gente fica visivelmente desconfortável só de ouvir falar no assunto de fezes. Mas  isso não é tão nojento como pode inicialmente parecer.

Quando você faz a mistura inicial, o odor pode ser sentido a alguns metros da caixa. Mas já no dia seguinte, o cheiro só é sentido a poucos centímetros da caixa. Pelo restante dos 2 ou 3 meses, não haverá nenhum cheiro ruim. Poucos dias depois da mistura inicial já é possível perceber o cheiro agradável de terra preta fértil, o mesmo que se sente caminhando numa mata virgem.

A compostagem pode ser feita só com as ferramentas, pá ou enxada, sem nunca aproximar as mãos a menos de 30 cm das fezes. Também toma pouco tempo. Gasta-se 30 minutos para fazer a mistura inicial a cada 2/3 meses, e 1 minuto por semana para mexer a mistura.

Para quê?

Fortalecer seu jardim, gramado ou plantas em vasos não é o único motivo. Acostumamos-nos que fezes são algo terrível do que precisamos tomar toda a distância. Mas na verdade elas são um riquíssimo bolo de nutrientes, porém em um formato útil apenas para bactérias. Podemos reaproveitar estes nutrientes e devolvê-los à terra, ao mesmo tempo reduzindo o volume de lixo que mandamos ao aterro da prefeitura, onde se acumulará por décadas ou séculos.

Cuidados à saúde

Fazer compostagem de fezes não representa um risco à saúde maior do que ter cães de estimação em casa, desde que sejam respeitadas algumas regras. Um cão pode ser hospedeiro de alguns parasitas que podem ser perigosos ao homem se o homem ingerir os ovos ou esporos deles. Basicamente, desvermifugue seus cães, não faça compostagem de fezes de animais desconhecidos, jamais use o húmus produzido em hortas para consumo humano, e tome cuidado com crianças que podem mexer no composteiro e depois levar as mãos à boca.
Saiba o processo em detalhes, inclusive como arranjar uma caixa, qual a proporção entre fezes e serragem, como identificar que o processo está pronto, de que forma regar, o que precisa ser evitado, na seção "receita" neste blog. Pode ainda entrar em contato comigo através do blog a qualquer momento!